Numa perseguição que se desencadeou em Cartago, foram presos nesta cidade cinco catecúmenos, entre os quais uma escrava chamada Felicidade e uma mulher, ainda nova e de posição, chamada Perpétua. A primeira estava grávida de oito meses e a segunda tinha uma criança de peito. Receberam o batismo enquanto estavam presas.
Permitiram a Perpétua que levasse consigo o filho para o cárcere. Chegado o interrogatório, ambas confessaram abertamente a fé e foram condenadas a ser lançadas às feras no aniversário do imperador Geta. A mãe foi então separada do seu filhinho. "Deus permitiu que ele não voltasse a pedir o peito e que ela não fosse mais atormentada com o leite", escreveu Perpétua no diário que foi fazendo até o dia da sua morte. Narra em seguida uma visão em que lhe apareceu seu irmão Dinócrates, ao sair do Purgatório graças às suas orações, e outra em que lhe foi prometida a assistência divina no último combate.
Felicidade receava que, devido ao seu estado, não lhe permitissem morrer com a companheira, mas, três dias antes dos espetáculos públicos, deu à luz. Como as dores do parto lhe arrancassem gritos, um dos carcereiros observou-lhe: "Se tu te lamentas já dessa maneira, que será quando fores lançada às feras?". "Hoje sou eu que sofro, respondeu a escrava; nesse dia, sofrerá por mim Aquele por quem eu sofro". Deu à luz uma menina que foi adotada por uma mulher cristã.
Perpétua e Felicidade entraram alegremente no anfiteatro com os três companheiros. Envolveram-nas numa rede e entregaram-nas às arremetidas duma vaca furiosa. O povo cansou-se depressa de ver torturar as duas jovens mães, uma das quais ia perdendo o leite, e pediu que se acabasse com aquele espetáculo. Abraçaram-se então pela última vez. Felicidade recebeu o golpe de misericórdia impavidamente. Perpétua caiu nas mãos dum gladiador desastrado que falhou o golpe, "tendo-se visto ela própria na necessidade de dirigir contra o pescoço a mão trêmula do gladiador inexperiente". Estes martírios deram-se na era de 203.
Santas Perpétua e Felicidade, rogai por nós!
LONDRES, quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 (ZENIT.org).- O primeiro ano do ordinariato estabelecido pela primeira vez para as comunidades anglicanas em busca da plena comunhão com Roma se caracterizou por ser "alegre e grato", segundo o líder do grupo. Mas há também mal-entendidos a serem abordados, reconheceu ele.
O último domingo marcou o primeiro aniversário da criação do Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham. Em 15 de janeiro de 2011, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou um decreto que estabeleceu formalmente um ordinariato pessoal na Inglaterra e Gales para os grupos de anglicanos e seu clero que desejassem entrar em plena comunhão com a Igreja católica.
Segundo o site do ordinariato, cerca de 500 católicos e anglicanos se reuniram para comemorar o aniversário com solenes vésperas e uma procissão do Santíssimo Sacramento, seguida pela bênção na igreja de Santiago de Londres.
A liturgia foi celebrada em ação de graças pela decisão do papa de permitir aos anglicanos que desejam entrar na Igreja Católica a conservação das suas orações e liturgia tradicionais.
Durante o sermão, o ordinário Dom Keith Newton afirmou: "Nesta noite, temos muito a comemorar e a agradecer. Pelos dons e riquezas espirituais do anglicanismo, que nutre a nossa fé. Pelo calor das boas-vindas e pelo apoio que recebemos de muitos católicos. Pela visão, amor e fé do nosso santo padre, o papa Bento XVI".
Dom Newton também publicou uma carta pastoral por ocasião do aniversario. "Um ano não é muito tempo na vida de nenhuma instituição, em particular na Igreja católica, mas, como é um momento tão histórico, não devemos deixá-lo passar sem fazer uma reflexão".
"Dou graças a Deus pela coragem e fé de vocês, às vezes com custo pessoal", comentou o bispo, ao refletir sobre a transição no último ano. Também agradeceu às congregações católicas e às pessoas que deram seu apoio durante o primeiro ano de existência do ordinariato.
"Houve, certamente, decepções e contratempos no caminho, mas eles foram superados pelo calor do acolhimento e pela consciência de estarmos em comunhão com a sede de Pedro e com inumeráveis pessoas ao redor do mundo", continuou.
Profético
Dom Newton reconheceu que houve alguns mal-entendidos, em parte porque muitos católicos não tiveram contato de primeira mão com o ordinariato nem com os seus membros. "Depende de todos nós ajudar as pessoas a entender, e a tornar realidade, a visão que o papa Bento XVI colocou diante de nós: que o ordinariato deve ser ‘um gesto profético’, para contribuir com o objetivo mais amplo da unidade visível entre a Igreja católica e a comunhão anglicana", exortou.
O ordinário também anunciou que mais gente se unirá ao ordinariato neste ano. Disse que vários grupos entrarão nesta semana santa e que também haverá ordenações sacerdotais durante o tempo de Pentecostes.
"Fazemos parte de um momento histórico na Igreja. Cada um de nós tem um papel importante a desempenhar, para atingirmos as possibilidades e as oportunidades que este ano colocou diante de nós, recordando que nada se conseguirá sem a oração e sem a santidade de vida", concluiu Dom Newton.





